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SUCESSÃO FAMILIAR – Mecanismos e Ferramentas para o Sucesso da Gestão (PARTE 2)

Às 28/04 às 19:20

A primeira parte desse breve estudo sobre Sucessão Familiar concentrou-se nas informações iniciais do que seria considerado Família e das definições de Empresa Familiar e Sucessão, além da identificação de alguns elementos que são caracterizados por meio de estudos como sendo importantes para verificar as possibilidades de sucesso de um processo de transmissão de liderança de uma empresa familiar.

Nesta segunda parte traremos características valiosas das empresas familiares de sucesso, além de alguns pontos que geralmente são avaliados como entraves para o crescimento das mesmas empresas.

A princípio, existem características empresariais que são apontadas pelos mestres em administração como presentes nos modelos empresariais de sucesso: Princípios e objetivos bem definidos, competências e atribuições determinadas, controle e gestão de dados, hierarquia administrativa, controle orçamentário e planejamento estratégico.

Apesar de muito numerosas, de acordo com levantamento estatístico  publicado no Jornal da USP, em outubro de 2018, a pesquisadora Isis Magri Teixeira apresentou dados do SEBRAE  e do IBGE, destacando que as empresas familiares representavam 90% dos empreendimentos no Brasil, empregando 75% da força de trabalho e sendo responsável por 65% do PIB nacional. Porém, mencionou também, com base nas mesmas fontes de dados, que 70% encerram suas atividades pela morte do fundador.

De uma forma bastante uniforme, as referências da literatura apontam que alguns pontos fortes devem ser destacados para explicar a ascensão das empresas familiares. Os mais abordados foram: O comprometimento dos membros da família nas atividades da empresa; a agilidade na tomada de decisões; a mobilização de capital próprio para investir na empresa; prestar garantias pessoais para levantar recursos, além da apresentação da imagem do fundador como inspiração de força e confiabilidade ante a sociedade.

Por outro lado, as empresas familiares tendem a ter dificuldades na gestão ante a complexidade das relações. Em família, os assuntos tendem a ser encarados sob a ótica da emoção, que muitas vezes se sobrepõe à razão. Fator este que compromete os julgamentos das situações e atrapalham o exercício das competências e atribuições. Sendo que frequentemente atos de familiares, exteriores à gestão, chegam a afetar a empresa.

Algumas empresas familiares de sucesso conseguiram adotar mecanismos de limitação desses pontos negativos que geralmente dificultam a atuação dos gestores. A instituição por meio de regulamentos e regras formais para delimitar as competências; o deslocamento da gestão e controle de dados e informações para gestores não familiares; promovendo a integração entre os setores estratégicos que mantêm o funcionamento da empresa, vem demonstrando ser um conjunto de medidas eficazes para dissolver a problemática das relações emotivas familiares dentro da empresa.

Outro mecanismo que vem sendo adotado por empresas familiares com gestões bem sucedidas é a criação de um Conselho Administrativo. Que pode até ser dirigido por membros da família, porém, com condições técnicas para a emissão de decisões. Ou seja, a decisão dos dirigentes precisa estar fundamentada em pareceres técnicos.

Mas para que esses mecanismos sejam implantados na empresa familiar, os seus membros têm que contratar uma assessoria jurídica e contábil atuante e participativa em que confiem. Porque todos eles precisam estar previstos em regulamentos previamente escritos e aprovados por todos. De qualquer forma, os membros da empresa familiar precisam ter uma mentalidade aberta e manter o objetivo de tornar a administração o mais profissional possível.

A adoção desses mecanismos e ferramentas jurídicos e administrativos fazem parte do amadurecimento da empresa familiar. Que geralmente só ocorre com o amadurecimento das relações familiares. Que é um outro fator a ser abordado em outra ocasião, por ser um ponto muito complexo que é normal nas relações familiares, mas pode ser um entrave para o sucesso profissional dos membros da família. Seja na empresa ou fora dela.

 

Referências:

PETRONI, M. Jornal da USP. Empresas Familiares Representam 90% dos Empreendimentos no Brasil. Editoria: Atualidades – Em Dia com o Direito. 18/10/2018. URL Curta: jornal.usp.br/?p=202637

BRANDT, G.T. Sucessão Familiar em Empresa do Agronegócio. UFRGS. 2015.

RICCA, D. Sucessão na Empresa Familiar: Conflitos e Soluções. CLA Editora. São Paulo/SP. 2007.

MELLO, M.A.; ABRAMOVAY, R.; SILVESTRO, M.L.; DORIGON, C.; FERRARI, D.L.; TESTA, V.M. Sucessão Hereditária e Reprodução Social da Agricultura Familiar. Revista de Economia Agrícola/ Journal of Agricultural Economics. Vol. 50, Nº 1. 2003.

 

Autora: Monique Dias Tavares, Advogada pós graduada em Direito do Estado; Médica Veterinária.

Monique Dias Tavares

Advogada pós graduada em Direito do Estado; Médica Veterinária.