Blogs

SUCESSÃO FAMILIAR – QUAL A DIFICULDADE?? (PARTE 1)

Às 20/04 às 09:26

SUCESSÃO FAMILIAR – QUAL A DIFICULDADE??

(Parte 1)

 

Por quê existem Sucessões Familiares bem sucedidas e casos em que nem sequer a ideia de sucessão de negócios é admitida entre os familiares?

Uma das ideias que me passa pela cabeça é o temor que muitas pessoas de maior idade têm da palavra “Sucessão”, por associá-la ao evento morte. Outra ideia é, um possível receio que o proprietário pode ter, de perder o poder de decisão sobre o patrimônio construído. Ficar relegado a segundo plano e não participar dos momentos decisivos da empresa que construiu não é uma situação agradável para quem cresceu trabalhando para formar e manter o patrimônio da família.

Entende-se por “Família”, o conjunto de pessoas unidas por vínculos biológicos, legais ou de afinidade, em constante transformação (PASSOS, 2006). Já Empresa Familiar é considerado o modelo de negócios cuja administração está adstrita a vínculos históricos ou a membros de uma família (BERNHOEFT, 1989). Sucessão Familiar em seu conceito técnico, segundo o especialista Domingos Ricca (2007), é o processo de transferência do poder de gestão por meio da formação de novas lideranças dentro de uma empresa.

Estudos indicam que, os casos de sucesso em sucessões familiares decorrem da própria iniciativa do ascendente, em delegar atividades aos seus descendentes, reconhecendo-lhes valor profissional, por meio de remuneração. Outras atividades familiares que contribuem para a participação dos membros da família e os incentivam a assumir responsabilidades e se profissionalizar, é a realização de reuniões periódicas para compartilhar os sucessos e discutir as falhas ocorridas durante os processos internos da produção. Nessas reuniões, os membros com mais iniciativa passam a assumir responsabilidades maiores e posições de liderança.

Da mesma forma que, os modelos mentais dos patriarcas são decisivos para o direcionamento suave ou conturbado da sucessão familiar, também o comportamento dos sucessores que realmente pretendem assumir posições de profissionais na empresa familiar é outro fator decisivo para o bom encaminhamento do processo. Independentemente da empresa ser, ou não, um agronegócio.

Respeitar e exaltar todo o caminho percorrido pelos antecessores, identificar os valores familiares que inspiraram o sucesso da empresa, destacar o nome dos fundadores são fatores que inspiram confiança tanto nos que participam do empreendimento, quanto nos que usufruem dos produtos ou serviços. Essa confiança garante o espírito aberto para as mudanças implementadas pelas novas gestões. Porque tanto colaboradores quanto consumidores dos produtos ou serviços sentem que o que for feito terá como inspiração os princípios familiares e como objetivo, a melhoria e o crescimento da empresa.  

Da mesma forma que as famílias estão em constante modificação, com o surgimento de vínculos legais e por afinidade, um outro ponto que pode causar temor aos envolvidos, principalmente aos ascendentes, é ver o patrimônio da família ser objeto de processos judiciais por atos de seus descendentes. Por exemplo, dívidas pessoais, casamentos mal sucedidos, entre outros. Entretanto, existem meios contratuais específicos para prever problemas desse tipo. A contratação de um bom advogado assegura o uso das ferramentas jurídicas disponíveis para a proteção do patrimônio familiar antes mesmo que os problemas ocorram.

O que se pode verificar em um breve estudo histórico de observação dos casos bem sucedidos de Sucessão Familiar, é que geralmente o processo tem início bem cedo, ainda durante o amadurecimento da empresa, com a delegação de tarefas entre os filhos, sob o controle dos pais. Ou mesmo empresas compostas por jovens casais ou irmãos, onde cada um exerce uma atividade específica e juntos conseguem tocar os negócios. Literalmente o processo sucessório amadurece junto com a própria empresa familiar.

As empresas familiares que seguem um modelo de concentração de poderes em somente um dos ascendentes, sem a participação dos demais membros da família, tendem a sofrer com processos de sucessão familiar abruptos. Por morte ou incapacidade do ascendente que exerce a gestão da empresa, ou mesmo por problemas financeiros decorrentes da gestão, que ocasionem a perda do patrimônio. Será muito mais difícil implementar a sucessão familiar, com o elemento emocional em evidência.

O que podemos afirmar, tomando como fundamentos os exemplos das sucessões familiares consideradas successful cases, é que em sua grande maioria o processo de sucessão acontece de uma forma gradual, com muita comunicação, por iniciativa dos próprios membros da família, como podemos concluir, ao observar a imensa gama de empresas familiares em nosso país. Entre elas, podemos citar a Família Diniz, Gerdau, a nível nacional. A nível de Estado de Sergipe, temos o Grupo G Barbosa, iniciado pelos irmãos Gentil e Noel Barbosa em 1955, no setor de supermercados;

 

Referências:

BRANDT, G.T. Sucessão Familiar em Empresa do Agronegócio. UFRGS. 2015.

MELLO, M.A.; ABRAMOVAY, R.; SILVESTRO, M.L.; DORIGON, C.; FERRARI, D.L.; TESTA, V.M. Sucessão Hereditária e Reprodução Social da Agricultura Familiar. Revista de Economia Agrícola/ Journal of Agricultural Economics. Vol. 50, Nº 1. 2003.

RICCA, D. Sucessão na Empresa Familiar: Conflitos e Soluções. CLA Editora. São Paulo/SP. 2007.

 

(Continuação do assunto:  Na Segunda Parte)

Monique Dias Tavares

Advogada pós graduada em Direito do Estado; Médica Veterinária.