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Tristeza Parasitária Bovina

Por J.A Saúde Animal e Leiteonline.com | Às 08/07 às 08:42

Denomina-se tristeza parasitária bovina (TPB) o complexo de duas enfermidades causadas por agentes etiológicos distintos, porém com sinais clínicos e epidemiologia similares: babesiose e anaplasmose (FARIAS, 2001). A babesiose é causada por protozoários do gênero Babesia (espécies Babesia bovis e Babesia bigemina) e a anaplasmose, causada por uma rickettsia do gênero Anaplasma (espécie Anaplasma marginale) (SACCO, 2001). Estes são parasitas intraeritrocitários e a enfermidade que causam é devida, principalmente, à intensa destruição dos eritrócitos do hospedeiro (FARIAS, 2001). Elas são doenças distintas, que não apresentam imunidade cruzada entre si, não dependem uma da outra e exigem manejos e tratamentos próprios para cada uma (SACCO, 2001).

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As babesias são transmitidas aos bovinos única e exclusivamente pelo carrapato Boophilus microplus. A transmissão do Anaplasma também se dá pelo mesmo carrapato, mas também pode acontecer mecanicamente através da picada de insetos hematófagos (moscas, mutucas e mosquitos) (SACCO, 2001).

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A TPB é um dos problemas sanitários de maior prejuízo econômico na pecuária bovina, que se traduz por altos índices de mortalidade e morbidade (SACCO, 2001). As perdas econômicas são devido à redução na produção de leite e carne, infertilidade temporária de machos e fêmeas, custo de tratamentos, gasto com medidas preventivas necessárias, quando se introduz animais de áreas livres em áreas endêmicas e, principalmente, devido à mortalidade (KIKUGAWA, 2009).

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Os surtos ocorrem, geralmente, após reduções temporárias da infestação por carrapatos, devido a condições climáticas desfavoráveis ou por meios artificiais como aplicação intensiva de carrapaticidas, rotação de pastagens etc. (FARIAS, 2001).

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Os principais sinais clínicos do bovino com TPB são hipertermia, anorexia, pelos arrepiados, taquicardia, taquipnéia, redução dos movimentos de ruminação, anemia, icterícia (mais frequente e intensa na anaplasmose), hemoglobinúria (ausente na anaplasmose e mais intensa na babesiose por Babesia bigemina), abatimento, prostração, redução ou suspensão da lactação e sinais nervosos de incoordenação motora, andar cambaleante, movimentos de pedalagem e agressividade, característicos na babesiose por Babesia bovis, devido às lesões cerebrais. (FARIAS, 2001).

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Para o diagnóstico da TPB devem ser levados em conta dados epidemiológicos, sinais clínicos e lesões observadas na necropsia. Porém, o diagnóstico definitivo e específico, só é possível através do exame laboratorial, com a identificação do agente em hemácias parasitadas. (FARIAS, 2001).

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Para o tratamento, a sugestão da J.A Saúde Animal é o uso de Ganavet®, medicamento composto por diminazeno e fenazona, indicado para casos de babesiose em bovinos, deve ser utilizado na dosagem de 1 ml/20kg (3,5mg/kg) via intramuscular, dose única. Para combater a anaplasmose, é indicado o uso de Diclotril®, medicamento a base de cloridrato de enrofloxacino e diclofenaco de sódio, antimicrobiano de amplo espectro e anti-inflamatório respectivamente, devendo ser utilizado na dosagem de 1 ml/20kg, a cada 24 horas, durante 3 dias. Caso não tenha possibilidade de diagnosticar o agente específico que está causando a doença é importante a associação dos dois medicamentos. Além disso, pode-se se fazer terapia suporte com Catofós® (vitamina B12), e o animal deve ser mantido na sombra, com água e alimento a sua disposição, e não ser forçado a movimentar-se.

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Autores:

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Ingrid Medeiros Jacintho Quirino – Graduanda em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Tocantins e integrante do projeto J.A Universidade

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Prof. Dr. Otavio Luiz Fidelis Junior – Professor da Universidade Federal do Tocantins

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Referências Bibliográficas:

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KIKUGAWA, Manoela Mieko. Tristeza Parasitária Bovina (Babesiose x Anaplasmose). 41 f. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) - Medicina Veterinária, Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), 2009.

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FARIAS, Nara Amélia; RIET-CORREA, Franklin; et al. Doenças de ruminantes e equinos: Tristeza parasitária bovina, p.35-42. 2ªEdição, Vol. II São Paulo: Livraria. Varela, 2001.

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SACCO, Ana Maria Sastre. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento; Embrapa. Controle/Profilaxia da Tristeza Parasitária Bovina. Comunicado técnico 38 ISSN 0100-8919, Bagé, RS Agosto, 2001.

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